Morissette leva suas cenas cômicas do backstage pra TV Com o maior estilo documentário do rock, "We're with the band" (Nós estamos com a banda) estréia nesse outono no Comedy Central, e Alanis Morissette está espalhando seu rótulo de malvada garota do rock muito bem. O programa, de produção executiva da cantora com Tom Hanks, vai seguir a vida da pop star dentro e fora dos palcos, incluindo divertidas situações nas quais ela e seus companheiros de banda se metem. Parecido com o estilo de "Curb your enthusiasm" ("Freie seu entusiasmo") - no qual Morissette já apareceu -, o diálogo não será escrito, permitindo que Morissette reviva seus anos de adolescência como um membro de uma troupe de improvisação. Seu álbum Jagged Little Pill (o qual vendeu mais de 14 milhões de cópias nos Estados Unidos) e o seu hino "You oughta know" concretizaram a sua reputação feroz, persuadindo inclusive anunciantes do SportsCenter a recolher moedinhas douradas, "Isso foi pela dor de Alanis Morissette". A cantora e compositora está comemorando o décimo aniversário do álbum em junho, regravando todas as faixas numa versão acústica para um novo lançamento e uma nova turnê nos Estados Unidos. Mas por agora, ela está feliz por simplesmente fazer as pessoas rirem.
STONE: Quão importante é agora pra você fazer piada de si mesma?
ALANIS: Bom, quanto mais velha eu fico, mais engraçadas as coisas ficam. Então eu acho que é uma leveza que vem conforme eu cresço e, esperançosamente amadureço.
STONE: Como é isso de improvisação que você está planejando fazer?
ALANIS:Eu acho que é a onda de consciência disso tudo. Eu amo a idéia disso não ser uma peça já montada na qual eu estou me contorcendo pra entrar, mas sim uma história sendo contada que permite que eu a personalize. Eu tenho participado de troupes de improvisação de comédia desde que tinha 14 anos. Eu amo o aspecto temático disso. Não há um espaço pra roubar a cena.
STONE: Você pode contar alguma das situações que vai estar no programa?
ALANIS: Quando eu estava no backstage com meus companheiros de banda em 95 ou 96, o vocalista do Hootie and the Blowfish [Darius Rucker] me pediu pra vir pro backstage. Ele voltou, e nós estávamos todos falando com ele, mas depois que ele saiu eu virei pros meus companheiros de banda e disse "Não era ele. Eu juro que não era ele." Pareceu que esse cara encontraria o jeito de ir ao backstage com todas essas bandas dizendo isso. Corremos falar com o verdadeiro Darius em Nashville mais ou menos uma semana depois e contamos à ele...Ele estava...surpreendentemente rindo. [risos] Outro exemplo seria alguém fingindo ser cego ordenado à vir pro backstage, e quando ele chega ao backstage você percebe que ele não é cego. Há um humor no que acontece por detrás das câmeras que é frequentemente escondido - Eu acho que isso é uma noção preconcebida de que pessoas que estão sob o olhar do público são muito mais bajuladas, então é engraçado e saudável mostrar pras pessoas que, muitas vezes, as pessoas mais famosas no local podem se sentir como a mais invisível.
STONE: Você já saiu do seu caminho pra encontrar alguém que você admirava?
ALANIS: Eu estou geralmente de língua atada quando eu encontro autores. Eu vou até alguém que escreveu um livro que eu amo, e não posso falar e minhas bochechas ficam quentes e eu me reduzo à uma garotinha de 8 anos de idade. Essas são as pessoas que eu mais admiro.
STONE: Como você se sente sobre Jagged Little Pill uma década depois?
ALANIS: Eu o amo. Voltei ao estúdio com [produtor/colaborador] Glen Ballard, e terminei de gravar os vocais [para a versão acústica]. Vai ser lançado depois de 10 anos do dia que ele foi originalmente lançado, que foi 13 de junho de 1995.
STONE: Depois de Jagged Little Pill, as pessoas te pintaram de zangada. Você sentiu que foi mal representada?
ALANIS: Não, eu acho que isso se deve mais ao fato de que mulheres sendo tomadas pela raiva não era algo que fosse facilmente aceito. Eu tinha dito que seria OK pra mim ser feliz e amigável e segura, mas não estava OK estar enraivecida ou culpando ou vitimando. Então porque eu tinha reprimido isso em mim mesma por tanto tempo, quando quando veio o tempo de escrever músicas de um lugar de onda de consciência, aquela que tinha estado sentada no fogo saiu pra desforrar.
STONE: Porque você acha que essa foi a face do álbum que todo mundo guardou?
ALANIS: Se nós estivéssemos tão OK com a raiva quanto nós estamos com alguém sorrindo na nossa cultura, as pessoas nem teriam percebido. Eles teriam dito "Oh, esse é um cd amável". Mas porque a raiva é como uma emoção-tabu -e frequentemente uma emoção mal entendida- foi compreensível que as pessoas pirassem.
STONE: Que outros projetos você tem pro futuro?
ALANIS: Eu acho que tenho um livro em mim. Tendo sido tão louca com as minhas crises de depressão e tudo o mais que eu vivi, eu ativamente aprendi diferentes modos de recuperar minha alegria. Têm havido muitos workshops e livros e registros cotidianos e expressão artística que eu tenho feito que eu iria amar colocar num livro e compartilhar com as pessoas.
STONE: Parabéns pela sua cidadania americana. Você sente que isso veio alguns meses tarde demais, digo, por causa das eleições?
ALANIS: É, que merda. [risos]! Apesar de que um voto não teria feito diferença. Eu na verdade pedi às pessoas pra votarem a meu favor, o que provavelmente conseguiu alguns votos a mais do que se eu tivesse votado.
STONE: Eu sou gêmeo, então tenho que te perguntar sobre sua conexão com o seu irmão.
ALANIS: Inexplicável. Isso foi o veneno pra muitos relacionamentos amorosos da minha vida, porque muitas vezes eu comparava meus namorados com ele: "Tenho com ele a conexão que tenho com o meu irmão?" O que é realmente uma grande ordem. [risos] Essa era uma comparação que eu tinha durante toda a minha juventude, então demorou um minuto ou dois pra eu obter um senso da minha própria identidade individual.
STONE: Você parece saber quem você é.
ALANIS: Eu não sei se eu posso confirmar completamente um conhecimento sobre mim mesma enquanto estou aqui na minha forma física, mas eu acho que eu estou numa ótima jornada com isso.
tradução por: SISTER BLISTER do ALanisworld.net